O que realmente diferencia um gel de ácido hialurônico de outro?

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O que realmente diferencia um gel de ácido hialurônico de outro?

O que realmente diferencia um gel de acido hialuronico de outro - NEXUS Science, Instituto IREL




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A concentração é apenas uma parte da história. Dois preenchedores podem trazer ácido hialurônico no rótulo e se comportar de maneira muito diferente na seringa e dentro do tecido — porque a diferença real está na forma como a matéria-prima é modificada, organizada e transformada em gel.



Prof. Renato Lima

6 min de leitura
Atualizado em setembro de 2026

MESMA CONCENTRAÇÃO NO RÓTULO

GEL A rede mais aberta

GEL B rede mais reticulada

a arquitetura do gel — não só o número no rótulo — decide o comportamento

Duas amostras com a mesma concentração de ácido hialurônico podem ter redes internas muito diferentes — e, com isso, comportamentos diferentes.

Pergunta clínica

Se dois preenchedores trazem exatamente a mesma concentração de ácido hialurônico no rótulo, por que se comportam de forma tão diferente na seringa e no tecido?

O processo de fabricação modifica o comportamento do gel

Dois preenchedores podem apresentar ácido hialurônico na composição e, ainda assim, comportar-se de maneira muito diferente durante a aplicação e dentro dos tecidos. A explicação está no modo como a matéria-prima é modificada, organizada e transformada em gel.

Escolher um produto apenas pela marca, pela concentração indicada na embalagem ou pela familiaridade com a seringa reduz uma decisão complexa a um único dado. Para entender as diferenças entre os géis, é preciso olhar para suas propriedades reológicas e físico-químicas.

O ácido hialurônico não reticulado é rapidamente degradado no organismo. Para aumentar sua estabilidade, os fabricantes utilizam processos de reticulação, frequentemente com BDDE, criando ligações entre as cadeias do polímero. O grau e a eficiência dessa reticulação, a concentração de ácido hialurônico, o peso molecular, o tamanho e a organização das partículas, a quantidade de material não reticulado e as etapas de homogeneização influenciam o produto final.

  • grau e eficiência da reticulação;
  • concentração de ácido hialurônico;
  • peso molecular;
  • tamanho e organização das partículas;
  • quantidade de material não reticulado;
  • etapas de homogeneização.
A mesma concentração em miligramas por mililitro não significa a mesma resistência, o mesmo espalhamento ou a mesma capacidade de absorver água.

Comparações só fazem sentido quando consideram o conjunto das características e a metodologia usada para medi-las.

Figura 1 · Infográfico

O que a etiqueta não mostra: da matéria-prima ao comportamento

Reticulação Concentração de AH Peso molecular Tamanho/organização das partículas Material não reticulado Homogeneização ARQUITETURA DO GEL Resistência Espalhamento Absorção de água

Vários fatores de fabricação — não apenas a concentração — moldam a arquitetura final do gel.

Elasticidade e viscosidade descrevem partes diferentes do comportamento

Os preenchedores de ácido hialurônico são materiais viscoelásticos: apresentam características de sólido e de líquido.

O módulo elástico, geralmente representado por G’, expressa a capacidade do gel de armazenar energia e recuperar sua forma após uma deformação. Em termos clínicos, valores mais altos costumam estar relacionados a maior resistência à deformação e capacidade de suporte, mas essa tradução não deve ser feita isoladamente.

O componente viscoso descreve a resistência ao fluxo. A viscosidade complexa e outros parâmetros associados ajudam a compreender a passagem do produto pela agulha ou cânula, sua deformação sob cisalhamento e seu comportamento inicial após a extrusão.

Já a relação entre os componentes viscoso e elástico pode ser expressa pelo tan delta. Ela ajuda a indicar se o material apresenta comportamento relativamente mais elástico ou mais fluido nas condições do teste.

Figura 2 · Comparativo

Duas leituras do mesmo gel

G’ · COMPONENTE ELÁSTICO Armazena energia sob deformação Recupera a forma original Associado a resistência e suporte COMPONENTE VISCOSO Resistência ao fluxo do gel Influencia a extrusão pela agulha Comportamento após o cisalhamento TAN DELTA — RELAÇÃO ENTRE OS COMPONENTES mais elástico mais fluido

Elasticidade e viscosidade descrevem aspectos diferentes do mesmo gel — nenhuma sozinha explica o comportamento completo.

Capacidade de expansão e integração também importam

A afinidade por água e a capacidade de expansão podem interferir no volume percebido após a aplicação. Produtos diferentes absorvem água de maneiras diferentes, o que influencia a escolha em regiões nas quais edema ou expansão indesejada podem comprometer o resultado.

Os padrões de integração tecidual também variam. Estudos histológicos mostram distribuições distintas entre géis, relacionadas ao conjunto de suas propriedades viscoelásticas e estruturais. Alguns se distribuem de forma mais homogênea; outros permanecem como depósitos mais definidos.

Coesividade, tamanho de partícula e força de extrusão podem acrescentar informações, mas nem todos esses parâmetros possuem métodos de mensuração universalmente padronizados. A própria literatura alerta para o risco de comparar números obtidos por protocolos laboratoriais diferentes.

O produto precisa ser escolhido para uma função

Não existe um gel “melhor” em termos absolutos. Existe um produto mais ou menos compatível com o objetivo, o plano, a mobilidade da região, a espessura do tecido e o efeito desejado.

Uma área que exige suporte estrutural impõe demandas diferentes de uma região superficial e móvel. Da mesma forma, projeção, contorno, refinamento e hidratação não são funções equivalentes.

A escolha racional combina diagnóstico, anatomia, conhecimento do produto e técnica. A reologia ajuda a organizar essa decisão, mas não substitui experiência clínica nem evidência de desempenho no paciente.

NEXUS Insight

NEXUS Insight · nossa interpretação

A pergunta “qual é a concentração deste produto?” é incompleta sozinha. A concentração informa a quantidade de ácido hialurônico — não como ele foi organizado em rede, nem como essa rede vai se comportar na seringa e no tecido.

A pergunta mais útil é outra: “qual arquitetura este gel tem, e essa arquitetura combina com a função que preciso que ele exerça aqui?” É essa mudança de pergunta — do número no rótulo para o comportamento do material — que aproxima a escolha do produto de uma decisão clínica de verdade.

Conclusão

O nome “ácido hialurônico” descreve a base do produto, não todo o seu comportamento. Cada gel é resultado de uma arquitetura própria, criada por concentração, reticulação, organização e características físico-químicas.

Conhecer essas diferenças permite sair da escolha por hábito e aproximar o produto da função clínica que ele precisa desempenhar.

Aplicação prática

Como este artigo muda minha prática?

  • Não escolho um preenchedor apenas pela concentração declarada no rótulo.
  • Considero reticulação, peso molecular e organização das partículas como parte da decisão.
  • Distingo elasticidade (G’) de viscosidade — e não trato os dois como sinônimos.
  • Levo em conta a capacidade de expansão ao escolher produto para áreas sensíveis a edema.
  • Escolho o produto pela função que ele precisa exercer — suporte, contorno, refinamento ou hidratação — não por hábito.

NEXUS Evidence · síntese

O tema em uma olhada

O que a concentração (mg/mL) explica sozinha Pouco. A mesma concentração não garante a mesma resistência, o mesmo espalhamento ou a mesma capacidade de absorver água.
O que determina a arquitetura do gel Reticulação, peso molecular, tamanho e organização das partículas, material não reticulado e homogeneização.
Papel de G’ (módulo elástico) Armazenamento de energia e recuperação de forma; associado a resistência à deformação e suporte.
Papel do componente viscoso Resistência ao fluxo; influencia a extrusão pela agulha ou cânula e o comportamento após o cisalhamento.
Capacidade de expansão Afinidade por água variável entre produtos; interfere no volume percebido e no risco de edema.
Mensagem prática Não existe gel “melhor” em termos absolutos — existe um produto mais compatível com a função clínica desejada.

Perguntas frequentes

A concentração em mg/mL é suficiente para comparar dois preenchedores de ácido hialurônico?
Não. A mesma concentração em miligramas por mililitro não significa a mesma resistência, o mesmo espalhamento ou a mesma capacidade de absorver água. Comparações só fazem sentido quando consideram o conjunto das características do gel — reticulação, peso molecular, organização das partículas — e a metodologia usada para medi-las.
O que é o módulo elástico G’ de um preenchedor?
G’ expressa a capacidade do gel de armazenar energia e recuperar sua forma após uma deformação. Em termos clínicos, valores mais altos costumam estar relacionados a maior resistência à deformação e capacidade de suporte, mas essa tradução não deve ser feita isoladamente.
Existe um gel de ácido hialurônico melhor que os outros?
Não em termos absolutos. Existe um produto mais ou menos compatível com o objetivo, o plano de aplicação, a mobilidade da região, a espessura do tecido e o efeito desejado. A escolha racional combina diagnóstico, anatomia, conhecimento do produto e técnica.
Por que a reticulação é importante na fabricação do gel?
O ácido hialurônico não reticulado é rapidamente degradado no organismo. A reticulação, frequentemente feita com BDDE, cria ligações entre as cadeias do polímero para aumentar a estabilidade — e o grau e a eficiência desse processo influenciam diretamente o comportamento final do produto.

Da etiqueta à arquitetura do gel: aprofunde a escolha do preenchedor

Na Imersão em Preenchimentos Faciais do Instituto IREL (17 e 18 de outubro de 2026, em Valença/BA), a escolha do produto é tratada como parte do raciocínio clínico — ao lado de diagnóstico, anatomia e técnica.

Leitura complementar

  • Fundarò SP et al. The Rheology and Physicochemical Characteristics of Hyaluronic Acid Fillers: Their Clinical Implications. Int J Mol Sci. 2022;23(18):10518. DOI: 10.3390/ijms231810518.
  • Perera GGA, Argenta DF, Caon T. The rheology of injectable hyaluronic acid hydrogels used as facial fillers: A review. Int J Biol Macromol. 2024;268(Pt 2):131880. DOI: 10.1016/j.ijbiomac.2024.131880.
  • Enright KM et al. Evaluation of the Hydrophilic, Cohesive, and Physical Properties of Eight Hyaluronic Acid Fillers. Clin Cosmet Investig Dermatol. 2024;17:89–101. DOI: 10.2147/CCID.S446429.
  • Rheologic and Physicochemical Properties Used to Differentiate Injectable Hyaluronic Acid Filler Products. Plast Reconstr Surg. 2019. PMID: 30921116.


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NEXUS Science — conteúdo baseado em evidências para profissionais da saúde estética. Este material tem finalidade educativa e não substitui a avaliação clínica individualizada.

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